terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sou eu e o Perry Mason.

A minha formação académica não é em direito embora ache que daria um grande advogado. Tipo Perry Mason a contra interrogar no tribunal. Gostava especialmente daquelas partes (à americana que já me explicaram que cá é tudo uma cambada de xoninhas e que se não dizes tudo à primeira e levas as testemunhas todas logo... azar) em que poderia dizer "Protesto!" e o Juiz diria "Deferido. Cuidado com essa linha de interrogatório Xotor..." Enfim... isto para vos dizer também que no meu trabalho tenho de lidar com alguns aspectos legais e como não gosto de esperar uma semana por um qualquer parecer a dizer o que eu já desconfiava e pagar por isso, vou muitas vezes procurar no código o que me interessa. E isto porquê? Porque assim permite-me ir conhecer os meandros da lei e assim conhecer (mas nunca fazer!!! sabe-se lá quem lê isto...) umas pequenas "ilegalidades legais".
A mais conhecida talvez seja mesmo a elisão fiscal, que difere bastante de evasão fiscal. Enquanto que na evasão fiscal há uma fuga à lei, na elisão, aproveita-se as lacunas da lei para a contornar, sem cometer nenhuma ilegalidade. Bem, mas não maço mais com isto que até eu já estou a começar a ficar entediado.
Vou antes dar-vos uma dica útil para o dia a dia. O fenómeno da usocapião (e não uso campião como muita gente pensa, inclusive eu mas disfarçava sempre porque dizia a palavra rápido e ninguém percebia. Acho eu). Depois não digam que não levam nada daqui. Dispõe o art. 1299.º, do Código Civil que "A usucapião de coisas não sujeitas a registo dá-se quando a posse, de boa fé e fundada em justo título, tiver durado três anos, ou quando, independentemente de boa fé e de título, tiver durado seis anos."
Ora, o que quer isto dizer? De certeza que quase toda a gente tem coisas "emprestadadas", como CD's, livros, DVD's, etc. E por vezes as coisas ficam anos e anos em nossa casa e nunca nos lembramos de devolver a coisa em questão. Ora, se estiverem de boa fé, passados 3 anos a coisa passa a ser vossa. E mesmo que não estejam de boa fé, passados 6 anos, o objecto passa igualmente a ser vosso! É uma óptima maneira de usurpar coisas. Por isso, quando vos vierem perguntar pelo CD que vos emprestaram aqui há uns anos, respondem qualquer coisa como: "Qual teu CD? O MEU CD!!".
É a lei.
E isto faz-me pensar que já tenho uma jeitosa colecção de coisas usucapidas...uma prateleira quase cheia!
Eu não valho nada...


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais uma vez The Q Man vem em vosso auxílio.

Uma das coisas que se vão adicionando à minha existência, mais por via da idade e da experiência acumulada, é a técnica de mãos. Como sabem, o homem moderno - dizem as revistas da especialidade - é uma espécie de sedutor inspirado no modelo do Ryan Gosling no filme "Crazy Stupid Love", sendo que uma das características que se destaca é o conhecimento do vestuário feminino, e de todos os seus segredos. Bem, na verdade, acabei de inventar isto, mas achei que ficava bem fazer uma introdução com referências cinematográficas. Mesmo não se tratando de um filme laureado - nem de perto nem de longe - fica sempre bem.
Mas vamos ao que interessa: um dos piores inimigos de um homem é o soutien (não gosto de escrever "sutiã", não tem aquele je ne sais quoi da língua francesa). Não sei o que se passa com alguns dos meus amigos, ou das suas faltas de jeito, já que quando os oiço fico a pensar que a destreza manual deles assemelha-se à de um australopiteco, mas o facto é que simplesmente não conseguem desapertar o dito cujo. Para alguns é uma tarefa tão ou mais complicada que descobrir o segredo de um cofre da Securitas. Eles bem que tentam andar ali às voltas, puxar de um lado, puxar de outro, tentar cruzar os ganchos, e nada. É de um charme descomunal, como se pode imaginar.

Por isso, o conselho que vos deixo é o seguinte: se não souberem, deixem que sejam elas a tirá-lo. Poupam tempo e, acima de tudo, dignidade.


Não precisam agradecer. Estou cá para isto mesmo.


sábado, 4 de agosto de 2012

...

Já estou com saudades disto mas também estava com saudades vossas... (fica sempre bem e é bonito dizer estas coisas para isto parecer um bloguinho fofuxo, não é? Mas para ser sincero... nem me lembrei... minto... houve ali um momento enquanto esperava pelos percebes e mandava mais uma caña abaixo que assim de repente e duma forma veloz tive um vislumbre disto aqui ;)  )

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ser homem também é isto... ou um bocado menos talvez.

Ontem, depois de jantar com a miúda, ainda fui a uma tasca basca (para me ir preparando para a semana que vem) apreciar boa companhia e depois de alguma negociação a ver onde é que se ia acabar a noite e tal... fui despachado para casa. O costume. Assim voltei ao bairro e ainda parei no spot do costume para dois dedos de conversa e um copo antes de deitar. Ora bem, estava na minha, quando vejo uma situação que reflecte bem o que somos e que elas não conseguem, nem conseguirão perceber..
Estavam uns quantos miúdos de 9/10 anos a jogar à bola na rua, com aquelas balizas feitas com pedras, quando um deles, manda um biqueiro totalmente desgovernado, que a bola vai parar lá a cascos de rolha.
No momento em que bola falha o alvo, estava um senhor a passear com a filha pequena, que não devia ter mais que 5 anos, ensinando-a a andar de bicicleta, ou seja, amparando-a para ela não cair, enquanto ela pedalava. Quando o homem vê a bola a passar por ele, larga tudo (ou seja, a filha), e corre atrás da bola, apanhando-a, e começando a dar toques antes de devolver a bola aos putos, contrafeito. Entretanto, a miúda, como não sabia andar de bicicleta, estava estatelada no chão a chorar, só dando o pai por isso quando devolveu a bola aos putos. O pior é que eu compreendi o homem, porque também estava com uma vontade de gamar a bola aos putos e dar uns toques...


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Encontrei-me comigo.

Foi naquele sítio novamente. Não fiz de propósito, acreditem. Encontrei-me casualmente comigo há dias.
Havia tempos que não me via. Estava sentado num penedo. Agachei-me e perguntei-me o que tinha. Olhei-me nos olhos... Não... O olhar estava parado, fixo num ponto de fuga, a quilómetros de distância. Respondi que não tinha nada, enquanto recordava os meus, que amo, e uma vida por acabar.
Olhei-me com o mesmo olhar vazio, sem emoção que classifique o bater do coração.
Tenho vindo a adequar o discurso, pela constatação clara de que já não importa o "ser" das coisas. Importa-lhes principalmente o "ter". Daí que o saber, aquela faixa estreita onde a crença e a verdade se sobrepõem, pouco importe; porque é relativo, muito relativo...
Às voltas com este transe... O sábio que antes invejámos ao afirmar "só sei que nada sei", demonstrando clareza sobre a enorme variedade de conhecimentos que houvesse para apreender, face à diminuta capacidade do Homem para tal grandeza, hoje é o que apregoa ao vento "só sei que nada tenho".
Por isso a inteligência se mede cada vez mais pelo sucesso, pelas influências apropriadas, do que por formas de pensar. Louco já não é o que se passou do juízo, que se designa, também em contra-senso, por "infeliz". Louco é o que vive sem nada, porque nada soube amealhar, esse sim temido e repudiado por todos.
Consequentemente tenho de admitir que "tenho, logo, existo". Deixo para trás o paralelismo em que a consciência do ser se relacionava com a actividade cognitiva, negando o insano. A afirmação do sábio remete-nos agora, por silogismo, à definição de existência apenas para quem possui.
Esta afirmação completa-se em círculo; pela conclusão de que o sábio, que afirma que nada tem, na realidade estar em rota de negação com a sua própria existência, o que confirma a tese de que o saber é, não apenas tendencialmente inútil, como uma via directa para o ostracismo, para a marginalização, para o degredo.
A sociedade ensina-nos que sem ter não haverá saber, e isso definirá a nossa permanência. O saber, que nos negaria a essência, é-nos assim fornecido a conta-gotas. Na medida exacta a permitir que continuemos a fomentar a ambição, e dessa forma levar-nos a justificar a nossa existência.
Tecidas estas considerações sumárias comigo, resta-me a imodéstia de vos confessar que não existo. O que me torna no imortal mais procurado do planeta. Sou também, por isso, o único sábio ignorante, e aqui aproximo-me do conceito antigo, mas por razões diversas...
Deixei-me a olhar inexpressivamente para o tal ponto de fuga. Afastei-me desse louco que nada tem.
Ao fundo as luzes da cidade atraíram-me como cantos de sereia. A tal cidade... Onde de tudo existe, a mesma onde nada se sabe, aquela onde tudo se conquista.
E fiquei a pensar, numa ambição antiga... Se ao menos tivesse juízo... Mas não tenho :)




terça-feira, 24 de julho de 2012

Sim Senhor Doutor.

Confesso que uma coisa que sempre me divertiu são aqueles tipos que acham que percebem muito de mulheres, assumindo-se como verdadeiros experts em sede de psicologia feminina, achando que, por essa mesma razão, transbordam charme tal e qual como o Nilo transborda na época das cheias.
Adoro especialmente aqueles que adoptam as teorias linguísticas do "Quando ela diz "não" quer dizer "sim", e vice-versa", e coisas que tais, como se fossem verdades supremas. Bem, eu sempre tomei um "não" como um "não", e um "sim" como um "sim", o que quase sempre me salvou de fazer figuras de urso (QUASE!). E se fosse só este exemplo não estávamos mal. Há por aí verdadeiros artistas que se acham muito e fazem questão de exteriorizar essa patologia, nomeadamente em locais públicos, publicando livros, indo à televisão mandar umas postas de pescada, e por aí em diante. E não esquecer os blogs, claro está, que isto agora anda na moda e há que aproveitar o tempo de antena. Uma coisa é tentar perceber as mulheres, outra é achar que se percebe. Tentar perceber a psicologia feminina é uma atitude sensata e louvável, e se tais empirismos forem comunicados à restante comunidade masculina, até se aplaude. Já um tipo assumir-se como o último Dr. Phil à face da Terra, e achar que estala os dedos e vêm cachos de gajas a correr atrás só pela sua bonita prosódia, é uma coisa completamente diferente.
Eu cá admito: não percebo nada de mulheres. E cada vez percebo menos. Mas vou tentando.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Coisas que me aborrecem...

Almofadas sem consistência apropriada.



Gente sem regras de higiene.



Avarias no jacuzzi.




Falta de privacidade.




Cerveja quente.




Visão dupla depois de meia dúzia de imperiais.




Jogadores de futebol com medo de ir ao choque.




Roupa de lã directamente sobre a pele.




Condutoras que não respeitam o código da estrada.




Finalmente... mulheres que querem sexo a toda a hora.