quinta-feira, 19 de julho de 2012

Underdog.

Quando estou a ver bola, salvo os casos em que joga a Selecção ou o Boavista (e estes só mesmo no Porto Canal... se conseguirem pagar as dívidas e inscrever a equipa, o que já é um grande feito), tenho sempre a tendência para torcer por aquele que, à partida, apresenta menos hipóteses de ganhar. Faço-o até ao último minuto, até ao último pontapé, se for preciso. Dos melhores, o melhor se espera. A verdade é que os outros também têm sonhos, também suaram para chegar ali. A qualquer momento podemos estar perante uma reviravolta, perante aquela centelha no olhar que diz "hoje mereço eu!", aquele esgar de génio que emociona os espectadores quando parte de não génios. Eu torço sempre pelo menos favorito.

Querer raramente é poder, por mais que nos queiram incutir o contrário. Querer "apenas" nos aumenta a probabilidade de esbarrar com o sucesso. Não gosto de "apenas". Gosto de sim, gosto de não, gosto da pequena margem de manobra para a qual a inevitabilidade nos empurra. É nessas alturas que se revela o verdadeiro poder de decisão, o saber fazer muito a partir de pouco.

Está tudo na nossa cabeça. Há quem não tenha armas para tomar de assalto as rédeas da sua vida, quer pense ou não que as tem, há quem saiba incondicionalmente que não pode falhar, e há ainda quem pense que tem poucas hipóteses, menosprezando o real valor da componente probabilística. Mas, pelo menos um dia em cada ano, todos acordamos com pegada de gigante e relegamos os feitos banais para segundo plano.

"Hoje" sinto que sou o menos favorito. Mas, para todos os efeitos, eu torço sempre pelo menos favorito.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Don't match... at all!!!

Isto... por exemplo...


... com isto!!!




E ainda o mesmo... dos frutos da Oliveira.

Continuando a saga do olival e daquela mania de ir ver os aviões e os barcos no porto de Leixões e o camandro... Não compreendo o gozo que dá ver aviões a descolar e a aterrar. Ainda se chocassem uns contra os outros, tipo bolas de bilhar. Mas não. Monstros carneiros. Põem-se na fila à espera da sua vez para descolar. Ordeiramente. Nem sequer dão um bocadinho de gás, tipo os motards. Põem-se na fila para estacionar. Ordeiramente. Nem buzinam nem nada, tipo os condutores impacientes, tipo eu. Toneladas de chapa reluzente bem-comportadinhas. Pasmaceira. Não compreendo os planespotters. Qual o gozo? Os lovespotters são um bocadinho assim. De binóculos, a espiar a paixão alheia. Nunca se atrevem a embarcar. Limitam-se a ver os outros a apaixonarem-se, a amarem, a desiludirem-se, a degladiarem-se, a apaixonarem-se outra vez, a desiludirem-se outra vez, a degladiarem-se outra vez, a apaixonarem-se outra vez ... Os lovespotters limitam-se a invejar o amor de dois apaixonados, sem nunca se atreverem a embarcar numa viagem semelhante, com receio de apanharem uns poços de ar durante a viagem, enquanto estão lá em cima, no ar, sem rede. Ou então, se calhar, têm receio de aterrar. Voltar à terra. Cair na real. Sim, ir às nuvens é muito bom. Mas aterrar de vez em quando também é preciso, quando muito é prenúncio de nova viagem. Com a mesma companhia, ou então com outra. O que interessa é não ter medo de voar. E é isto. Apeteceu-me desabafar!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estava mesmo a precisar...




... parar uns momentos sob as estrelas e ver o ondular do mar. E foi o que fiz. E foi o que acabou. Back to business.

terça-feira, 10 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ai é??

Desafiaram-me a escrever sobre sexo. Ai é? Ora cá vai!
O sexo é uma actividade a que as pessoas se dedicam quando querem ter filhos, orgasmos ou dormir melhor de noite. O sexo normalmente faz-se entre duas pessoas mas pode ser com muitas ou só com uma mas aí as pessoas chamam outros nomes ao sexo, por isso já não é sexo. Para dar filhos o sexo tem de ser feito entre dois orgãos diferentes, um ovário e um testículo. Como o ovário está enterrado na barriga das pessoas e o testículo é uma bola mole e dorida, não se consegue ter filhos tendo só estes dois orgãos. Aí existem duas soluções, ou se vai ao médico e se faz a coisa com seringas, ou se dá uso a outros orgãos. Estes outros orgãos são os pénis e as vaginas. Um pénis é um orgão assim em forma de cenoura, banana ou pepino, de cor rosa-acastanhada e textura variável. A vagina é um bocado de carne com um buraco no meio. Quando o pénis está em modo textura dura, consegue enfiar-se e aguentar-se dentro do buraco de carne, e o testículo pode mandar os genes pelo pénis fora, que lá dentro eles já se conseguem encaminhar e chegar ao ovário. Os pénis e as vaginas não são muito bonitos, não cheiram muito bem e tendem a ter doenças e maleitas fácilmente contagiosas, mas as pessoas não têm nojo porque têm mais-valias. Uma mais-valia do sexo é o orgasmo. O orgasmo é bom e distrai as pessoas dos problemas da vida no geral e do sentido desta em particular e as pessoas gostam de ter orgasmos e por isso gostam de fazer sexo. Outras mais valias do sexo incluem ter filhos, dormir melhor e aquecer os pés. Um dos problemas do sexo é a desigualdade de direitos. A localização do centro fazedor de orgasmos está localizado no pénis e aos homens basta fazer sexo para os ter. Mas nas mulheres o centro fazedor de orgasmos está localizado fora da vagina por isso é mais dificil de convencê-la de que ter uma pila feia, mal cheirosa e passível de ter doenças dentro dela é boa ideia, principalmente se a mulher não quiser ter filhos, já tiver os pés quentes e não sofrer de insónias.

A terceira lei de Newton.

"Para cada acção há sempre uma reacção, oposta e de mesma intensidade."
O Newton sabia-a toda. Tanto que fica assim explicado!
Toda a dedicação ultrajada pela realidade que nos reprime. Vezes tantas que a tentativa de aproximação gera a repulsa. E os vice-versas que nos corrompem a solidão. O telefone toca. Dá-me aquela vontade tão familiar de o atirar pela janela.
“Estou?…“
Estou, farto que me façam puxar pela cabeça. Já por um braço ou por uma perna levam-me para todo o lado. Pela cabeça, não. Resisto. Temo a cedência ao que desconheço, procuro sempre enraizar-me aos meus tubos de ensaio virtuais onde deixei os sentimentos fumegantes, em análise.
Estou, em sofrimento quando a apatia se entranha. A sensação do inútil, do tempo que me aproxima do cadafalso, inexorável. É a sedição que me empurra à acção, tantas vezes intempestiva, tantas vezes também relampejante e tempestuosa. Tanto mais quanto a apatia me devore. A chuva e o frio que emanam da minha alma atormentada geram vagas de tolerância, que não mereço. Sorrio. O telefone paira-me a centímetros dos dedos, entre o merecido descanso e a janela aberta para aplacar o calamitoso Verão, fora de horas. Por instantes não sei onde irá parar, é a fraca aragem que o transporta, em simbiose com a pequena força com que tenta impor-se ao calmão, talvez também fruto do fenómeno newtoniano. Eu queria a janela, consequentemente, ele quer o descanso. Alguém queria que ele parasse de tocar…
“Estou?...”
Estou, como um pequeno insecto no vislumbre do canto em que aquela vespa agarra a sua aranha, entre as pequenas patas finas mas titânicas, o abdómen contorce-se-lhe enquanto espeta o ferrão erecto, obsceno, uma e outra vez. A aranha abandona-se ao consentimento, como dois amantes que o degredo tivesse separado um dia e se encontrassem agora. Mas ali não é o amor que os une, talvez por isso todo o acto seja de uma imaculada perfeição, não existem factores exógenos, nem história que os reprima. Assim, não me vêem. Sinto-me como o tarado que não deveria estar ali a mirar tanto empenho naquela união casual, mas não gratuita. Por isso afasto-me, a pensar se daquele ódio ocasional não nascerá um amor sem tempo, infinito e desejável. Sem saber ao certo se quero ser vespa ou aranha. Sei que quando sou vespa o meu dia tem sequela. Nunca me consigo imaginar noutro lugar. Já me convenço de que nasci para envenenar. Envenenar suporto, tiro sempre partido das minha inoculações. Mortifico-me porém se me sinto envenenado, temo por isso ferrão que me trespasse. E no entanto…
“Estou?...”
Estou, ciente de que as vespas são tão grandes que nem as vejo. E o resultado da sua acção talvez só o saiba daqui a demasiado tempo. Passo assim cada dia, apreensivo por poder vir a parir diabo que me coma. Mas talvez, pela lei de Newton, seja eu parido por anjo que me adormeça.

Por esta lei, da física elementar, só o bem morre com culpa.